quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Santander congela salários, mas dá milhões a executivo
Crédito ISTOÉ Dinheiro

Escrito por: Andréa Ponte Souza – Sindicato dos Bancários de São Paulo

Os trabalhadores do Santander na Espanha estão pagando pela crise que atinge o país. Durante o XXII Convênio Coletivo de Banco, a entidade patronal AEB negou-se a oferecer qualquer reajuste salarial e a assumir o compromisso de manter empregos. A postura intransigente dos banqueiros fez com que, após oito meses de tentativas frustradas, os representantes dos bancários abandonassem a mesa de negociação.

Ao mesmo tempo em que arrocha salários e aposta em demissões de trabalhadores, instituições como o Santander continuam sendo mãe generosa para seus executivos.

O banco espanhol pagou indenização escandalosa para o ex-conselheiro e diretor geral da Divisão América do banco – que inclui os países em que o Santander atua no continente, exceto o Brasil –, Francisco Luzón. Após 15 anos, Luzón saiu do grupo com a astronômica quantia de 66 milhões de euros: 55 milhões segundo o informe do banco em 2010, acrescidos de 10 milhões este ano, sob a rubrica “outros seguros”.

Com esse montante, que corresponde em reais a quase 150 milhões, daria para o banco acrescentar cerca de 500 euros (R$ 1.135) ao salário de cada um dos 120 mil bancários na Espanha.

Por outro lado, os bancos na Espanha, entre eles o Santander, negam-se a atender às reivindicações dos trabalhadores que são, entre outras, reajuste salarial, acordo de quatro anos prevendo estabilidade no emprego, ou seja, dispensas somente através da adoção de um programa de demissões voluntárias, plano de carreira, medidas que possibilitem a conciliação entre trabalho e vida pessoal e um capítulo específico no acordo para tratar de igualdade de oportunidades.

Ao invés do diálogo, os banqueiros insistem no congelamento total dos salários para 2011 e 2012, propondo reajuste de não mais do que 1% para 2013 e 2014, na eliminação dos triênios e da ascensão por tempo de empresa (ATS) e na ampliação da mobilidade geográfica dos trabalhadores, ou seja, maior facilidade para transferir funcionários.

“É revoltante o pagamento de indenizações vergonhosas para a cúpula enquanto se propõe o congelamento salarial dos trabalhadores. Nós, funcionários do banco no Brasil, manifestamos nossa solidariedade aos bancários espanhóis e nossa indignação com o tratamento dispensado aos trabalhadores, que são os responsáveis pela grandeza e lucro da empresa”, denuncia a diretora executiva do Sindicato e funcionária do Santander Rita Berlofa.

A dirigente ressalta, ainda, que o ônus da crise econômica não pode recair sobre os trabalhadores. “A crise, que começou nos Estados Unidos e chegou à Europa, é originária na gestão irresponsável do sistema financeiro pelos seus executivos, e foi pautada pela ganância do lucro rápido e a qualquer preço. Agora, esses mesmos executivos são premiados com altas bonificações enquanto ao trabalhador é negado o reajuste salarial ou, quando não, tirado seu emprego. Isso é no mínimo desumano.”
Contraf-CUT completa nesta quinta (26), seis anos construindo unidade e mobilização
Ao longo da história, entidade se consolidou como protagonista das lutas, estando à frente de todas as campanhas salariais da categoria

Escrito por: Contraf-CUT

A Contraf-CUT fundada em 26 de janeiro de 2006, completou nesta quinta-feira, seis anos de história com muitas lutas e conquistas para os trabalhadores do ramo financeiro. Uma história marcada pela construção da unidade nacional e da mobilização da categoria.

Uma história que vem de longe

As origens da confederação, que representa mais de 90% dos cerca de 480 mil bancários de todo país, se encontram na organização do Departamento Nacional de Bancários (DNB-CUT), a partir de 1985, quando aconteceu uma das maiores greves dos bancários no Brasil. Naquele ano, três sindicatos filiados à CUT (São Paulo, Porto Alegre e Londrina) formaram uma comissão que deu os primeiros passos.

O 1º Congresso do DNB-CUT ocorreu em 3, 4 e 5 de junho de 1989. A primeira diretoria eleita foi encabeçada por Ricardo Berzoini, atual deputado federal do PT de São Paulo e ex-presidente do Sindicato de São Paulo. O 2º Congresso foi realizado de 24 a 26 de agosto de 1990, onde foi aberto o debate de transformar o DNB em Federação Nacional ou Confederação.

O 3º Congresso do DNB-CUT aconteceu de 27 a 29 de março de 1992, onde foi aprovada a transformação do DNB em Confederação Nacional dos Bancários (CNB-CUT). Berzoini é eleito o primeiro presidente. Naquele ano, a entidade recém-criada assinou, junto com 120 sindicatos e sete federações, a primeira convenção coletiva nacional de trabalho, que completa 20 anos em 2012.

Seis anos de protagonismo

O primeiro presidente da Contraf-CUT, eleito no ato de fundação, foi Luiz Cláudio Marcolino, que na época presidia o Sindicato de São Paulo e hoje é deputado estadual do PT de São Paulo.

O 1º Congresso da Contraf-CUT foi realizado em 25 de abril de 2006, em Nazaré Paulista. Vagner Freitas, atual secretário de finanças da CUT, foi eleito presidente, com mandato de três anos.

A atual direção foi eleita no 2º Congresso da Contraf-CUT, ocorrido em 14 e 15 de abril de 2009, em São Paulo. Carlos Cordeiro (foto) foi eleito presidente para a gestão 2009-2012.

Muitas lutas e conquistas

Ao longo desses seis anos, a Contraf-CUT fortaleceu a unidade nacional dos bancários e esteve à frente de todas as campanhas salariais, coordenando o Comando Nacional dos Bancários e consolidando a convenção coletiva nacional de trabalho, que completa 20 anos em 2012, válida para funcionários de bancos públicos e privados de todo país.

"Apesar das vitórias, os desafios ainda são imensos, como o emprego decente, condições dignas de saúde, segurança e trabalho, igualdade de oportunidades, regulamentação do sistema financeiro e inclusão bancária sem precarização e sem exclusão", destaca Carlos Cordeiro.

Referência mundial

A Contraf-CUT é também referência internacional para os trabalhadores de todo mundo. É filiada à UNI Global Union, o sindicato mundial que representa cerca de dois milhões de trabalhadores da área de serviços. Carlos Cordeiro é o atual presidente da UNI Américas Finanças, que organiza os bancários do continente americano.

A entidade participa da organização de redes sindicais dos bancos internacionais, buscando a construção de acordos marcos globais para garantir direitos básicos para os trabalhadores de todo mundo. Com a atuação decisiva da Contraf-CUT, foi assinado, em 2011, o primeiro acordo marco entre a UNI e o Banco do Brasil.
Contraf-CUT negocia com BB e reforça extensão da Previ e Cassi para todos

Bancários querem previdência complementar e saúde de qualidade para todos

A Contraf-CUT, federações e sindicatos, assessorados pela Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil, voltaram a discutir a extensão da Previ e Cassi, com qualidade, para todos os funcionários do BB, durante reunião da mesa temática com o banco realizada na segunda-feira (23), em Brasília. A reivindicação havia sido aprovada no 22º Congresso Nacional dos Funcionários do BB, no ano passado.

Os trabalhadores egressos de bancos incorporados pelo BB, que enfrentam dificuldades e tratamento diferenciado nas áreas de saúde e previdência, esperam uma solução o mais rápido possível, procurando equalizar os benefícios de todos os planos, tanto para os da ativa quanto para os aposentados.

Em resposta, os representantes do banco afirmaram que já está em estudo uma solução para os que vieram do Besc, Nossa Caixa e BEP. Eles garantiram ainda que este ano ocorrerá uma série de mudanças pontuais, principalmente para os egressos da Nossa Caixa.

O banco justificou que não tem poder de gestão nos planos administrados pela Fusesc. Admitiu as dificuldades e prometeu minimizá-las o quanto antes. "Chegar a zero de problema é quase impossível", afirmou o negociador do BB, José Roberto.

Dentre os problemas discutidos, o BB apresentou evolução em relação ao Fundo Economus de Assistência Social (Feas), constituído exclusivamente com recursos da venda de seguros do então banco Nossa Caixa. O banco disse que o plano será reaberto.

Em uma breve análise, os representantes do BB afirmaram que estudos apontam para uma redução no percentual, que hoje é de 4,72 per capita, composição de grupo familiar e a criação do plano família. A medida tem efeito apenas para os que têm aposentadoria.

Fusesc

Um dos entraves para que os bancários egressos do Besc possam ter acesso ao plano de saúde, enquanto não há uma solução definitiva, é o fato de o plano de saúde exigir uma joia de R$ 2 mil. Nenhum funcionário do BB tem que pagar joia para se associar à Cassi.

A Comissão de Empresa lembrou que diversos bancários do Besc encontram-se atualmente sem plano de saúde. E os que possuem plano têm direitos diferenciados. Durante a reunião, os representantes dos trabalhadores insistiram que o BB tome providências e busque uma solução definitiva para o caso.

"O banco não pode deixar de se preocupar com esses bancários. Uma vez que comprou o banco (Besc) deve garantir um plano de saúde para os trabalhadores incorporados", frisou Eduardo Araújo, coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB.

Aposentados

A instituição financeira justificou que um dos itens que dificultam uma solução global é que os bancários dos bancos incorporados que se aposentaram antes de o banco adquirir Besc, BNC e BEP não têm vínculo com o Banco do Brasil. A Comissão de Empresa afirma que a decisão tem que englobar todos os participantes dos fundos de pensão e dos planos de saúde, independentemente de estarem na ativa ou não.

Participação

Ainda durante a reunião da mesa temática, a Contraf-CUT reivindicou maior participação dos trabalhadores nas decisões relativas aos fundos de pensão e aos planos de saúde dos bancos incorporados, mesmo que ainda não tenha fechado um acordo definitivo sobre o assunto.

A Comissão de Empresa também apresentou uma proposta para compartilhamento da rede de assistência e de reciprocidade de fato do atendimento médico e hospitalar de todos os planos de saúde dos bancos incorporados com a Cassi, menos burocrática e mais eficiente que o modelo atual. O banco ficou de avaliar a proposta.

NR 254

Em relação à Resolução Normativa 254 da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que incorpora tabelas novas de procedimentos médicos mínimos, a Contraf-CUT lembrou que o BB tem buscado solução exclusivamente jurídica. "O banco deveria fazer a adequação imediata para adequar a Cassi ao texto da resolução 254. Se a Cassi não se adequar à NR 254, novas adesões serão vetadas ao plano de saúde. Não podemos permitir que isso ocorra", protestou Araújo.

O fim de novas adesões pode ser prejudicial aos participantes e à manutenção de qualquer plano de saúde. Com um número limitado de sócios, entre outras consequências, os prestadores de serviço (médicos e outros profissionais de saúde) podem deixar de atender pelo plano e esvaziar a rede credenciada, o que prejudicaria sobremaneira os participantes.

Considerando que os planos de saúde dos bancários egressos dos bancos incorporados já estão fechados para novas adesões, a possibilidade de migração ou gestão desses planos pela Cassi é garantia de longevidade, uma vez que a entrada de novos associados mantém a solidariedade e o futuro mais equilibrado de qualquer plano.

Previdência

Em relação aos fundos de previdência, o banco apresentou justificativa quanto ao impedimento legal para a portabilidade. Por falta de tempo, o assunto será aprofundado em nova reunião.

Ao final da reunião, a Contraf-CUT informou que apresentará calendário para negociar PCR, jornada legal de 6 horas e outros assuntos de interesse do funcionalismo.

Fonte: Contraf-CUT com Seeb Brasília
Diretor do Dnocs pede demissão
Por Daniela Martins
Valor

BRASÍLIA - O diretor-geral do Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (Dnocs), Elias Fernandes (foto), pediu demissão nesta quinta-feira, segundo nota do Ministério da Integração Nacional.

Elias Fernandes é alvo de acusação de favorecimento tanto ao seu Estado, Rio Grande do Norte, quanto ao seu filho, Gustavo Fernandes, deputado estadual (PMDB-RN). Por meio de verbas liberadas pelo Dnocs para obras, Fernandes teria favorecido a eleição do filho para deputado estadual liberando recursos para alguns municípios potiguares.

De acordo com a nota do ministério, no entanto, Elias Fernandes pediu para deixar o cargo “em função da restruturação dos quadros das empresas vinculadas à Pasta”. Assume interinamente o cargo o atual secretário nacional de irrigação do Ministério da Integração, Ramon Rodrigues.

O ministro da Integração, Fernando Bezerra, já tinha o aval da presidente Dilma Rousseff para mudar o comando das três principais autarquias da Pasta. Bezerra, do PSB, também foi alvo de denúncias de favorecimento ao seu Estado, Pernambuco, e a familiares, mas continua no cargo.

Elias Fernandes é indicação do líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves.

(Daniela Martins / Valor)
Aposentados exigem reajuste de 12% em manifestação na Praça Sete, em Belo Horizonte
CUT/MG participa do ato e defende o fim do fator previdenciário

Escrito por: CUT/MG
Com o grito de “12%, já”, centenas de aposentados e pensionistas fizeram da comemoração do seu dia nacional um ato de protesto na Praça Sete, Região Central de Belo Horizonte, nesta terça-feira (24). Eles exigem que o governo federal reajuste as aposentadorias acima de um salário mínimo em pelo menos 12%. Em dezembro, a aumento anunciado para o benefício foi de 6,08%, abaixo da inflação e muito inferior ao reajuste do salário mínimo, que alcançou 14,26%.

O presidente da Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CUT/MG), Marco Antônio de Jesus, disse, durante o ato, que a CUT apoia e participa da luta dos aposentados e pensionistas por reajuste igual para quem ganha salário mínimo e os que recebem acima do piso.

“A CUT lutou pela valorização do salário mínimo, que se tornou realidade e política de governo. Se o mínimo fosse apenas o equivalente a US$ 100, os brasileiros receberiam hoje em torno de R$ 180. Mas o valor chegou a R$ 622, resultado da luta dos trabalhadores e das centrais. Estamos na luta para que o reajuste seja igual para o mínimo e para o restante das aposentorias e pensões.”

Marco Antônio enfatizou que a bandeira da classe trabalhadora e, em especial, dos aposentados e da CUT é o fim do fator previdenciário. “Esse instrumento nocivo, que reduz o valor das aposentadorias precisa acabar. O fator previdenciário prejudica dos trabalhadores na hora de se aposentar.”

Segundo o presidente do Sindicato dos Aposentados, Pensionistas e Idosos do Regime de Previdência Social de Minas Gerais (Sinap-MG), Adilson Rodrigues, o reajuste das aposentadorias acima do mínimo demonstra o descaso do governo federal. “O governo dá bilhões aos banqueiros, reserva bilhões para as emendas dos deputados, mas apenas nos oferece uma migalha, uma mixaria. Nossa reivindicação é que o reajuste fosse a inflação mais 70% da variação do PIB e nos deram apenas 6,08%. Isso não repõe nem a inflação do período. Não há compromisso político com os aposentados e pensionistas”, protestou Rodrigues.

O presidente do Sinap-MG disse que a categoria está se mobilizando em todo o país para pressionar e cobrar do governo por um aumento próximo ao concedido ao salário mínimo. “A presidente Dilma nos prometeu 11,36%, mas queremos 12%. Devemos ter uma negociação em fevereiro e acreditamos que, com a pressão dos aposentados e pensionistas, da nossa federação, da confederação e com o apoio das centrais sindicais vamos conseguir uma reposição maior.”

Para Robson de Souza Bittencourt, presidente da Federação dos Aposentados e Pensionistas de Minas Gerais (FAP-MG), “o governo não tem olhos sociais para os aposentados que ganham acima do salário mínimo”. “Vamos fazer mobilizações em todo o país para que todos saibam a nossa realidade. Merecemos respeito. O reajuste de apenas 6,08% é uma vergonha. Na negociação de fevereiro vamos cobrar os 11,36% que nos prometeram.”

O ato e a comemoração do Dia Nacional dos Aposentados contaram ainda com apresentação de dança cigana, shows e uma barraca para medir a pressão arterial e outros serviços.
Marcha de abertura do Fórum Social Temático 2012 valoriza diversidade
Crédito: Correio do Povo
Caminhada reuniu cerca de 30 mil e ocupou ruas do centro de Porto Alegre

Sob o céu nublado e um calor abafado de 35º Celsius, começou nesta terça-feira (24) a marcha de abertura do Fórum Social Temático (FST) 2012, ligado ao Fórum Social Mundial (FSM), no centro de Porto Alegre. O tema do FST é Crise Capitalista e Justiça Social e Ambiental.

Tradicional caminhada pelas ruas da capital gaúcha desde a primeira edição do FSM, em 2001, a marcha reuniu cerca de 30 mil manifestantes. Ele andaram pelas avenidas Borges de Medeiros e Ipiranga, por onde seguiram até o Anfiteatro Pôr-do-Sol, às margens do Rio Guaíba.

Na metade do trajeto, porém, o céu escureceu, veio um temporal e uma forte pancada de chuva molhou os participantes. Ninguém reclamou. Ao contrário, a água virou motivo de alegria diante do ar quente e da seca que atinge várias regiões do Rio Grande do Sul.

Bancários presentes

Os bancários também marcharam. Estiveram presentes dirigentes da Contraf-CUT, Fetrafi-RS e Sindicato dos Bancários de Porto Alegre, dentre outras entidades. Eles aproveitaram para distribuir panfletos convidando para o lançamento do livro A Pirataria Tucana e debate com o autor, jornalista Amaury Ribeiro Jr, nesta quarta-feira, dia 25, às 16h, na Casa dos Bancários.

Outra atividade dos bancários em parceria com a CUT-RS é a oficina sobre a Regulamentação do Sistema Financeiro, com palestra da professora e economista da Unicamp, Maria Alejandra Dali. A atividade será realizada nesta sexta-feira, dia 27, às 14h, também na Casa dos Bancários.

"O FST é uma boa oportunidade para discutir com a sociedade a crise capitalista, apontar os efeitos perversos da privataria tucana e mostrar a importância da regulamentação do sistema financeiro", disse o secretário de imprensa da Contraf-CUT, Ademir Wiederkehr.

"Queremos contribuir com as discussões sobre a crise capitalista, que é um dos temas do FST, mostrando os efeitos nefastos da falta de regulação do sistema financeiro em todo mundo", afirma Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT. "Defendemos a realização de uma Conferência Nacional sobre o Sistema Financeiro, a exemplo das conferências já realizadas sobre saúde, educação, comunicação e segurança pública, a fim de que a sociedade seja ouvida sobre o papel, o crédito e a atuação dos bancos no Brasil", destaca.

Fonte: Contraf-CUT com Correio do Povo e Agência Brasil
Após reintegração, mais de 1,3 mil famílias seguem desamparadas no Pinheirinho
Escrito por: Rede Brasil Atual

Mais de mil famílias ainda não foram atendidas após a reintegração de posse do último domingo (22) na comunidade do Pinheirinho, em São José dos Campos, a 97 quilômetros de São Paulo, onde 1,6 mil famílias retiradas durante ação de reintegração de posse. Os moradores buscam abrigo sob algumas tendas instaladas pela prefeitura e também na Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, no Campo dos Alemães, onde as pessoas dividem o espaço e dormem nos bancos e no chão. As tendas em que as pessoas alojam seus pertences não oferecem proteção contra o mau tempo e foram montadas diretamente sobre o chão de terra.

A prefeitura anunciou no domingo que havia feito o cadastramento de 235 das famílias desalojadas na ocupação. Destas, 120 irão receber auxílio-aluguel, 110 alojamentos temporários, e outras cinco devem voltar à cidade natal. Porém, segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, não há mais informações sobre a ampliação da assistência para mais famílias.

Durante o começo da manhã desta segunda-feira (23), houve novo confronto entre a Polícia Militar, a Guarda Civil Municipal da cidade e os moradores do Pinheirinho. As pessoas, que no domingo foram retiradas sob balas de borracha e gás lacrimogêneo de suas casas, protestavam pelo direito de retirar seus pertences das moradias. Após o conflito, a PM permitiu que os moradores entrassem no Pinheirinho, acompanhadas de policiais. Ao total, já são 30 pessoas detidas na operação de reintegração de posse, segundo a PM.

Os abrigos – que recebem também crianças e idosos – são improvisados e precários, de acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos de São José, que acompanha a desocupação. Há denúncias de que a PM tenha agido com truculência até mesmo fora do Pinheirinho, jogando bombas de gás lacrimogêneo no pátio da igreja na noite de domingo. As pessoas ali abrigadas têm o apoio do padre local.

A maioria dos moradores ainda está sem informação sobre a operação, inclusive sobre vítimas da violência policial. A Polícia Militar garante que a ação não deixou feridos, nem mortos. Já os moradores denunciam casos de adultos e crianças feridos com gravidade e falam de óbitos. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos, o Hospital Municipal não informa o atendimento a casos relacionados com a reintegração.

A ação, ordenada pela justiça de São Paulo, desrespeitou uma decisão do Tribunal Regional Federal, que suspendia a operação. A desocupação do terreno de 1 milhão de metros quadrados favorece o megaespeculador Naji Nahas. O efetivo de mais de 2 mil policiais militares surpreendeu o governo federal.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, afirmou que a presidenta Dilma Rousseff está ciente dos acontecimentos, e enviou outros dois ministros (José Eduardo Cardozo, da Justiça, e Maria do Rosário, dos Direitos Humanos) para acompanhar a situação. Cardozo, inclusive, fez contato com o governador Geraldo Alckmin (PSDB) na tentativa de aliviar a pressão policial no local.

A truculência atingiu não só os moradores, mas também militantes e representantes do governo que visitaram o local. Por meio da rede social Twitter, o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) denunciou que o secretário de Articulação Social da Presidência, Paulo Maldos, foi atingido por bala de borracha pela PM paulista, enquanto tentava entrar no Pinheirinho.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Banco do Brasil conclui aquisição do Eurobank nos Estados Unidos
O Banco do Brasil (BB) informou que concluiu nesta quinta-feira, dia 19, a aquisição das ações do Eurobank, com sede na Flórida, nos Estados Unidos, por US$ 6 milhões. Trata-se de um banco de varejo norte-americano. O BB assume o controle da nova subsidiária, que vai passar a se chamar em breve Banco do Brasil Americas.

"A aquisição do EuroBank contribuirá para a expansão dos negócios do Banco do Brasil nos EUA e lhe permitirá atuar de forma mais abrangente no mercado de varejo norte-americano", diz nota divulgada pelo BB.

Ainda segundo a instituição, o Eurobank vai passar por uma fase de transição para atender os clientes com um portfólio mais amplo. No entanto, não haverá interrupção nas operações bancárias, que tem foco no atendimento das comunidades brasileira e hispânica residentes naquele país.

Na Florida, o EuroBank tem três agências em funcionamento nas regiões de Coral Gables, Pompano Beach e Boca Raton,

"As autorizações para a aquisição foram concedidas pelos órgãos reguladores envolvidos, nos Estados Unidos e no Brasil, após observados todos os trâmites regulamentares exigidos nos dois países".

Internacionalização

O BB anunciou em abril a assinatura do contrato para aquisição de 100% do capital social do banco americano, que faz parte de sua estratégia de internacionalização.

Segundo comunicado divulgado à época, a operação de venda se deu pelo valor de US$ 6 milhões e permite que o banco brasileiro atue no segmento de varejo nos Estados Unidos.

O Banco Central do Brasil aprovou a operação em agosto. Em dezembro, foi a vez do Federal Reserve (Fed), a autoridade monetária americana, dar o aval para a compra.

Com sede localizada em Miami, na Flórida, o Eurobank está em atividade desde 1991. De acordo com o Fed, o banco conta com ativos totais de US$ 83 milhões e ocupa a 245ª posição entre as instituições da Flórida, com depósitos de cerca de US$ 81 milhões.

Fonte: Valor Econômico e Agência O Globo
Diretor do Santander para América Latina deixa cargo com pensão milionária

Escrito por: Contraf-CUT com El País, Dow Jones e Europa Press
O diretor-geral do Santander para a América Latina e integrante do conselho executivo do banco espanhol, Francisco Luzón, deixará o cargo nos próximos dias. Luzón está no Santander desde 1997, liderando os negócios na região, que cresceram e se tornaram a principal fonte de renda da empresa por meio de uma série de aquisições.

"A América Latina contribuiu com 45% do lucro mundial do Santander nos primeiros nove meses de 2011, sendo que o Brasil participou com 25%", destaca o funcionário do Santander e secretário d imprensa da Contraf-CUT, Ademir Wiederkehr. O balanço anual do banco será divulgado no próximo dia 31.

A saída do executivo foi anunciada na quinta-feira (19) por vários sites de jornais espanhóis. O El País afirmou que a renúncia será aprovada em uma reunião do conselho do banco na próxima semana. O atual número dois do Santander na América Latina, Jesús Zabalza, assumirá o posto, segundo informações da Dow Jones.

Segundo informações da Europa Press, o executivo deve receber uma pensão acumulada de 55,9 milhões de euros. A esse montante devem ser acrescentados mais 10 milhões de euros a título de "outros seguros". Luzón era o segundo executivo melhor pago do banco, atrás de Alfredo Sáenz.

O anúncio do afastamento de Luzón ocorreu no dia em que a Asociación de la Banca Española (AEB) rompeu negociações com os sindicatos para a renovação do convênio (convenção coletiva) dos bancários.

O secretário-geral da Federação Bancária da CC.OO (Comfia), José María Martínez, reprovou a postura dos bancos espanhóis porque, enquanto "maltratam" a folha de pagamento dos funcionários, tentando impor um "congelamento total" dos salários, pagam indenizações "repugnantes" a seus altos dirigentes.

Para o novo convênio, a proposta patronal prevê dois anos de congelamento e um reajuste de não mais de 1% para os anos de 2013 e 2014.

Os sindicatos espanhóis somente aceitam discutir congelamento do salário que contemple cláusulas de emprego diante das perspectivas de novas fusões no sistema financeiro.

"Não parece coerente a pensão de Luzón", criticou Martinez.

Para o diretor da Contraf-CUT, a política dos banqueiros para os altos escalões é a mesma em todo mundo. "Cortam empregos e atacam salários dos trabalhadores, mas preservam os bônus e as pensões milionárias dos altos executivos. Está na hora de regular o sistema financeiro internacional", defende Ademir.
Após pressão da Contraf-CUT, HSBC retoma negociações no dia 31
A Contraf-CUT, federações e sindicatos retomarão as negociações com o HSBC no próximo dia 31, às 10h, em São Paulo. A data foi confirmada pelo banco no dia 18.

O agendamento ocorre após envio de carta pela Contraf-CUT à diretoria do banco inglês no dia 11, reivindicando a abertura de negociações para discutir quatro temas específicos. São eles: pagamento do PPR/PSV; previdência complementar; emprego, saúde e condições de trabalho.

A pauta é resultado da última reunião da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do HSBC, ocorrida em dezembro de 2011, em Curitiba.

"A retomada das negociações com o banco neste momento é fundamental, particularmente em relação ao tema do PPR/PSV, uma vez que o programa próprio de remuneração variável do banco é muito ruim, está abaixo do que está assegurado na própria convenção coletiva de 2011/2012 e tem provocado muita indignação nos funcionários, que se sentem enganados pelo banco", destaca Miguel.

Em relação à previdência complementar, o banco anunciou unilateralmente um novo plano, quando também se trata de uma antiga reivindicação apresentada pelas entidades sindicais. "O momento é oportuno para a reabertura de diálogo com a direção do banco e para a mobilização dos bancários de todo o país", salienta o diretor da Contraf-CUT, Sérgio Siqueira.

Reunão da COE

Na véspera, a Contraf-CUT promove reunião da COE do HSBC, no dia 30, às 10h, na sede da Contraf-CUT, para discutir e preparar os debates da pauta com o banco. Assim fica adiada a reunião prevista inicialmente para o dia 23.

Fonte: Contraf-CUT